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Pensando os Festivais e Mostras de Teatro
Caros Colegas de Teatro e Gestores Culturais,
Reflitamos juntos: Em tempos presentes, a quê e a quem serve e se destina um Festival ou Mostra de Teatro?
É fato notório que em época de realidades virtuais, das comunicações globais, da massiva mercantilização dos produtos culturais, os humanos anônimos necessitam de fisicalidade novamente, recuperar a tribo, o encontro... o teatro! Drama primitivo que estava presente na gênese teatral e na realização dos primeiros festivais de teatro que temos notícia: as Grandes Dionisíacas ou Dionisíacas Urbanas, na Grécia Antiga.
Naquele período, a população se encontrava para ver teatro; espetáculos a céu aberto, dias ininterruptos de atividade e comunhão geral em torno de nossa arte. Os conceitos de democracia e de teatro surgem como contemporâneos não por acaso. E hoje o que experimentamos? Como importante passo, nos é necessário em nome de um pungente encontro real e comunitário, rever as funções dos festivais e mostras que atualmente nos são apresentados.
Nessa perspectiva, observamos que a função de um festival deve estar totalmente atrelada ao seu pensamento, aos seus critérios e tema. Por quê e para quê existe? Para tornar-se vitrine do quê? Qual sua razão de existência? Enquanto comunidade e classe teatral temos sede por festivais realizados como política continuada, focada e persistente em seus ideais, e não evento produzido a partir de qualquer toque de caixa. Outro fator importante a ser observado são as formas através das quais esta justificativa deságua na prática:
- Forma de acesso e participação da sociedade e artistas; - A relação cultural e sócio-econômica do festival ou mostra com a comunidade; - Impacto e cadeia produtiva que promove em sua região de abrangência; - Quantidade na programação versus qualidade; - Eqüidade nos cachês; - Atividades de formação para artistas e comunidade; - Formação de platéia crítica, e não quantitativa.
O que advogamos é o estabelecimento de pensamentos e critérios transparentes na consecução de Mostra e Festivais, visto que a grande parte destes sustentam-se por meio de verbas públicas. Vislumbramos ainda a seleção pública, por meio de análise de projetos e formação de comissões seletivas compostas por membros de reconhecido e notório conhecimento na linguagem teatral, como o meio de escolha mais democrático e coerente, ao dar acessibilidade ampla e geral à comunidade artística.
O que desejamos com esta carta e com este encontro é ampliar o espaço dialógico entre os realizadores e gestores de Festivais e Mostras de Teatro no Ceará e a classe teatral, entendendo o enorme ganho que adquirimos com a união de forças, e compreendendo sempre que temos sonhos em comum quando almejamos dias e práticas melhores para a cultura de nosso Estado.
Fortaleza, 04 de julho de 2009.
Movimento Todo Teatro é Político Pró-Cooperativa Cearense de Teatro
* Carta por ocasião do Seminário Todo Teatro é Político – Pensando os Festivais e Mostras de Teatro. (Saiba mais sobre a criação da Cooperativa Cearense de Teatro) |

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