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Manifesto - Mudança na Seleção do FNT de Guaramiranga
Esta notícia sobre o FNT de Guaramiranga deixou-me inquieto e receioso. Em razão disso, resolvi compartilhar meus pensamentos com a classe artística para fomentar um debate sobre a questão.
De fato, acredito que a perda do caráter excessivamente competitivo possa garantir um melhor desenrolar das atividades dos grupos a se apresentarem no Festival. Todavia, a mudança no PROCESSO DE SELEÇÃO dos espetáculos pareceu-me mais uma forma de "elitização" da arte do que de "democratização" da mesma.
Foi-se levantada questões sobre a possibilidade de avaliar a arte, a subjetividade de tal análise e em vista disso chegou-se a esse novo formato em que UM indivíduo em cada estado nordestino estaria encarregado de indicar três espetáculos que participarão do Festival de Guaramiranga. Com isto, não estariam garantindo inda mais a "subjetividade" dentro do processo de seleção?
O processo de seleção do ano passado não é tido por mim como inadequado e não-funcional, muito pelo contrário. Deixar que todos os grupos interessados apresentem seus trabalhos para UMA COMISSÃO que selecionará dentre estes os que terão o direito de se apresentar, a meu ver, é muito mais justo.
Neste novo formato, estou em desacordo com a idéia de APENAS grupos INDICADOS se apresentarão. Grupos indicados por UM sujeito? Onde há justiça nessa forma de seleção? Um único indivíduo pode dizer o que é bom ou ruim dentro do cenário artístico de um Estado?
Isso facilitará o acesso tão somente de grupos de "grande porte" ao Festival de Guaramiranga, uma vez que tais grupos podem custear apresentações em locais "chamativos" como o Dragão do Mar e TJA, dentre outros mais "apetitosos" aos olhos de UM ÚNICO OBSERVADOR. Acaso tal responsável pela seleção poderá dar atenção a grupos que se apresentem em TODO O ESTADO? Podemos facilmente conceber um grupo de qualidade se apresentando no Teatro de Icó, enquanto outro de igual quilate se apresenta em Sobral, e isso concomitantemente a outro grupo que estaria se apresentando no Dragão do Mar. A qual desses grupos este CONSELHEIRO direcionaria seu olhar de imediato? Ou acaso esse individuo seria eficiente de forma tal que poderia substituir toda uma comissão seletiva, podendo estar em TODAS AS APRESENTAÇÕES TEATRAIS QUE ACONTECEM NAS DEZENAS DE ESPAÇOS CÊNICOS DISPONÍVEIS NO ESTADO? Não seria ingenuidade acreditar que tal CONSELHEIRO pudesse ser REALMENTE eficiente e imparcial no seu julgamento?
Os grupos teatrais atuantes nas grandes capitais nordestinas já estariam saindo DESCARADAMENTE na vantagem sobre os grupos que atuam nas regiões interioranas.
E percebam que tal CONSELHEIRO teria em suas mãos o "poder" de decidir quem ganha e quem não ganha 4 mil reais.
De livre concorrência passamos para o nível de "Q.I. - QUEM INDICA", é isso a que se resumirá o FNT de Guaramiranga?
Jean Carlos Barbosa*
* Filósofo, ator e diretor da Cia. Sonhar de Artes Cênicas.
** Mensagem enviada em 22/05/07 para lista de discussão da Federação Estadual de Teatro do Ceará -FESTA, referente a notícia publicada no Jornal O Povo (veja a notícia) |

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